Protocolo que deu a cara da internet,World Wide Web chega aos 30 anos.

Porta de entrada da rede para o grande público, www perdeu hegemonia para os aplicativos

Eu me lembro da primeira vez em que entrei na internet; deve ter sido lá por 1996. No navegador em um computador no trabalho de meu pai, digitei www. disney.com.br e, lentamente, pela conexão discada, apareceu uma página com informações sobre o Mickey e sobre filmes da empresa.

O www do endereço acima foi o que permitiu que muitas pessoas, como eu, acessassem a internet pela primeira vez. A internet já existia antes da World Wide Web, com interfaces só de texto em que era possível ler notícias e trocar mensagens.

O que o cientista inglês Tim Berners-Lee fez há 30 anos foi inventar um protocolo —uma série de regras— para que programas de computador chamados navegadores pudessem acessar informações organizadas em páginas, ou websites.

As páginas podem conter texto, imagens, vídeos e outros recursos e ser linkadas umas às outras.

Essa arquitetura de sites ligados uns aos outros forma a internet que, até o advento dos smartphones e apps, era a mais visível; aquela que vemos quando abrimos um navegador, fazemos uma busca no Google ou acessamos páginas como a Wikipédia, o YouTube ou o site da Folha.

A internet, é claro, serve como base para muitas outras aplicações, como email, mensagens de texto, redes fechadas de empresas etc.

Mas a web foi a porta de entrada da internet para o grande público e onde se encontra até hoje boa parte da informação difundida pela rede mundial de computadores.

Sua prevalência só chegou a ser ameaçada mais recentemente, com a ubiquidade dos smartphones e seus apps, que usam uma outra arquitetura e ecossistema, apesar de muitas vezes “conversarem” com informações puxadas da web.

A chamada internet das coisas, aquela dos carros e geladeiras conectados, também se dá em boa parte fora do âmbito da web.

Com o celular na mão de todos o tempo todo, não dá para negar que os hábitos de navegação mudaram.

Navegadores como Chrome e Internet Explorer não têm no smartphone a dominância que têm no desktop como forma de buscar informações e de se conectar.

As principais gigantes da internet de hoje —Google, Facebook, Twitter, YouTube, Netflix—  nasceram na web criada por Berners-Lee e só depois passaram a estar também nos dispositivos móveis.

Já existe, no entanto, uma nova geração de empresas nascidas como apps: nomes como Spotify, Instagram (depois comprado pelo Facebook) e Uber, criados a partir de uma lógica bastante diferente da das páginas da web.

A web sobreviverá, provavelmente, até pelo volume de conhecimento humano que está registrado em bilhões de sites. A interação dos humanos com a internet, porém, vai cada vez mais além da arquitetura criada pelo pioneiro Berners-Lee.

Por Paula leite em: https://www1.folha.uol.com.br/tec/2019/03/protocolo-que-deu-a-cara-da-internetworld-wide-web-chega-aos-30-anos.shtml